Nos encontramos na contra-mão
Só por um segundo
Será o encontro de nossas mãos.
O sorriso do teu rosto
rapidamente partiu,
como um largo manto a melancolia
pousou em ti de repente
e turvou teu vulto
e pintou de poente
o que parecia
sol de meio-dia.
Já era tarde pra o meu dia.
A noite espalhou-se
com cheiro de saudade
não sei bem de quê
mas acho que do sonho que incerto,
morreu antes de nascer.
Teu riso menino
emudeceu-se secamente
e teus olhos fitaram o chão,
jazia a esperança, menina pequena;
com tua voz amena
disseste querer brincar
mas eu via apenas
a alegria dali se transportar.
Ao recordar o passado
momentos de quimera,
tua voz de primavera,
o brilho ao olhar voltou
testemunha da pureza da alma nua
de malícia e dor
ainda não lavrada
por decepção de amor.
Nas nossas casas,
janelas azuis
a reclamar uma presença.
Em nossas varandas,
uma rede triste e vazia,
recorda o balanço d'algum ninar.
Fantasmas soltos a atormentar...
Mel
17.01.2008